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Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia (GeoLinTerm)

GeoLinTerm_Logo_png-OFICIALO GeoLinTerm é um macroprojeto de pesquisa, ligado ao Laboratório de Linguagem da Universidade Federal do Pará, que reúne várias problemáticas de pesquisa que estão distribuídas em quatro eixos de investigação (ou subprojetos): (i) o Atlas Linguístico do Brasil – Regional Norte (ALiB-Norte); (ii) o Altas Geossociolinguístico do Pará (ALiPA); (iii) os Atlas Linguísticos Regionais do Norte do Brasil (ALiN); e (iv) Terminologia e Socioterminologia no Brasil (SocioTerm).

 

Atlas Linguístico do Brasil – Regional Norte (ALiB-Norte): iniciado oficialmente em 2006 (embora a coordenação regional estivesse sob nossa responsabilidade desde 2002) está diretamente ligado ao projeto Atlas Linguístico do Brasil (http://twiki.ufba.br/twiki/bin/view/Alib). Este eixo de pesquisa se estrutura sob a orientação de um Comitê Nacional, com a participação de pesquisadores de oito universidades, sob a Presidência da Profª. Suzana Cardoso (UFBA), apoiada por Coordenadores Regionais e Comitês Assessores. A região Norte, uma das sete áreas em que se dividiu o território nacional para efeito de se organizarem as ações do Projeto ALiB, incluiu pontos de inquérito dos Estados de Roraima, Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins.

Atlas Geossociolinguístico do Pará (ALiPA): iniciado em 1997 (RAZKY, 1998), tem objetivos mais relacionados ao Estado do Pará. Este projeto é hoje um observatório da descrição e documentação da realidade linguística do português falado no Estado Pará (http://www.ufpa.br/alipa). Como o ALiPA se constituiu num observatório da variação e mudança linguística no Estado do Pará, ele vem tendo uma importância crucial  para o estudo das identidades linguísticas locais, além de constituir uma referência para todos os estudos da geografia linguística e sociolinguística no Brasil. Trata-se de fato da elaboração do Atlas Lexical  e Fonético[1] da zona rural do Pará,  a partir de mais de 40 localidades, cujos resultados já fazem parte de estudos comparativos sobre a diversidade dialetal no Pará e no Brasil.

Atlas Linguísticos Regionais do Norte do Brasil (ALiN): a realidade geossocioliguística da região Norte ainda apresenta grandes lacunas no que diz respeito à descrição e documentação da variação do português nas dimensões diatópicas e diastráticas. Nesta região, dispomos de apenas dois atlas linguísticos: o Atlas Linguístico Sonoro do Pará e o Atlas Linguístico do Amazonas. Este eixo de pesquisa está permitindo aprofundar o estudo da realidade geossociolinguística do Norte do Brasil. Já lançamos, no final de 2010, o projeto Atlas Linguístico do Amapá (ALiAP)[2] e somos, oficialmente, consultores dos projetos do Atlas Linguístico do Acre (ALiAC) e do Atlas Linguístico de Rondônia (ALiRO)[3]. O ALiN é fruto de trabalho em parceria e/ou colaboração com outros colegas das universidades federais do Norte do Brasil.

Terminologia e a Socioterminologia (SocioTerm): desde 1999 foram desenvolvidos no âmbito do ALiPA (Projeto de onde se originou o GeoLinTerm), vários trabalhos na área da Terminologia, com enfoque metodológico na Socioterminologia. Esses trabalhos descreveram a língua especializada de várias áreas da atividade econômica e sociocultural da Região Amazônica, tais como a atividade do caranguejo, da pesca, da festa do Sairé, da carpintaria naval, da cerâmica marajoara, do alumínio, do cacau, da farinha de mandioca, da meliponicultura, da madeira etc. De início, os objetivos desses trabalhos estavam focados no âmbito regional, mas, com a publicação das teses Socioterminologia da Indústria Madeireira (LIMA, 2010) e Terminologia do Alumínio (MARTINS, 2015), e com mais, pelo menos, três outras em andamento, ampliou-se o escopo desses objetivos para o restante do Brasil.

Esse quarto eixo de pesquisa, SocioTerm, foi desenvolvido até agora integrado à dimensão lexical do projeto ALiPA, embora com objetivos específicos. Trata-se da elaboração de glossários e dicionários da língua especializada, de atividades econômicas e socioculturais locais, que estão sendo ampliados agora para dar conta de domínios de especialidade de âmbito nacional.

Obviamente, os estudos do léxico no GeoLinTerm não se restringem ao quarto eixo, isto é, ao eixo SocioTerm, pois todos os outros eixos incluem também o estudo do léxico da língua geral, com o objetivo de elaboração de cartas geossociolinguísticas lexicais. Contudo, o estudo do léxico especializado ganha, nesta nova versão do projeto, uma outra dimensão, constituindo um campo de investigação autônomo.

O eixo SocioTerm constitui um programa que abriga vários subprojetos de cunho regional (SocioTerm-alumínio, SocioTerm-dendê, SocioTerm-carpintaria naval, SocioTerm-açaí, SocioTerm-vaqueiro etc.), de cunho nacional (SocioTerm-madeira, SocioTerm-bioprodutos, SocioTerm-meliponicultura, Dicionário escolar bilíngue etc.), ou de cunho internacional (parcerias com universidades de outros países, tais como o Projeto do Tesouro do Léxico Galego-Português etc.),  cada um com suas particularidades metodológicas.

Atualmente, estamos trabalhando, no âmbito do SocioTerm, no banco do patrimônio do léxico especializado. Trata-se de uma base de dados a partir dos repertórios terminológicos (glossários/dicionários) já elaborados desde o projeto ALiPA. Isto permitirá criar um ambiente virtual de pesquisa com dados sobre a socioterminologia de vários domínios da atividade econômica e sociocultural da Região Amazônica, com acesso pela internet.

 


LIMA, A. F. de. Socioterminologia da indústria madeireira. 2010. 377 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010.

MARTINS, A. F. C. Terminologia da indústria do alumínio. 2007. 238f. Dissertação (Mestrado em Letras: Linguística) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2007.

RAZKY, Abdelhak et al. (Orgs.). ESTUDOS II: geossociolinguística no Pará. Belém: EDUFMA,
2014. ISBN 978-857862-354-8. p. 209.

_______. Estudos sociodialetais do português brasileiro. Campinas: Pontes, 2014. ISBN 978-85-7113-525-3. p. 281.

RAZKY, Abdelhak; LIMA, Alcides Fernandes de. Estudos lexicais e socioterminológicos no Estado do Pará. In: CARDOSO, S.; MEJRI, S.; MOTA, J. (Orgs.). Os dicionários: fontes, métodos e novas tecnologias. Salvador: Vento Leste, 2011. p. 349-370.

RAZKY, Abdelhak (org.). Estudos geo-sociolinguísticos no Estado do Pará. Belém: s/ed., 2003. ISBN 85-903190-1-6.

_______. Atlas Linguístico Sonoro do Pará – ALiSPA 1.1. Belém: CAPES/UFPA/UTM, 2004.

_______. O Atlas Geo-sociolinguístico do Pará: abordagem metodológica. In: AGUILERA, V. de A (org.). A Geolinguística no Brasil: caminhos e perspectivas. Londrina: Editora da UEL, 1998. p. 155-164.

 

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[1] O Atlas fonético da zona urbana, intitulado Atlas linguístico Sonoro do Pará, foi publicado em 2004.

[2] O AliAP está sob a coordenação do prof. Abdelhak Razky junto com a profª. Celeste Ribeiro, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

[3] O ALiAC é coordenado pela Profa. Lindinalva Messias, da Universidade Federal do Acre, e o projeto ALiRO é coordenado pela Profa. Iara Telles, da Universidade Federal de Rondônia.

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